
Manoel de Oliveira é um nome incontornável da sétima arte que acompanha o cinema português desde as primeiras curtas até aos dias de hoje. Segundo o livro Guiness dos Recordes é, desde 2001, o realizador mais velho do Mundo em actividade, sendo o único cineasta a ter principiado a sua carreira no período do cinema mudo e a manter-se activo no século XXI. A sua vida dava um filme, quer em qualidade, quer em extensão…
O realizador completou cem anos a 12 de Dezembro de 2008 e insiste em dizer que só cria filmes pelo gozo de os fazer, independentemente da reacção dos críticos. Em Portugal, apesar de respeitado e prestigiado, ele não é propriamente um cineasta popular… muito menos consensual.
Nascido no Porto a 12 de Dezembro de 1908, Manoel Cândido Pinto de Oliveira é filho do burguês Francisco de Oliveira, que cedo lhe transmitiu o seu espírito de iniciativa.
Apesar de não ser bom aluno, era um bom desportista exímio e, ao lado do seu irmão ía conquistando fama com as suas façanhas desportivas: foi jovem campeão de salto à vara, ginasta e corredor de automóveis.
Desde muito cedo que surgui o fascínio pelo cinema e acalentava o sonho de ser actor, graças a seu pai que o levava a ver fitas de Charles Chaplin e Max Linder, despertando-lhe o interesse para a sétima arte.
Com vinte anos, inscreveu-se na Escola de actores de Cinema, fundada por Rino Lupo. Estreou-se no cinema em 1928, sendo figurante no filme “Fátima Milagrosa”, e participou como actor no filme “Canção de Lisboa”, em 1933, através do qual descobriu que não tinha vocação para representar.
No entanto, não desistiu do sonho de fazer parte do mundo do cinema e dedicou-se à realização. O seu primeiro filme “Douro, faina fluvial” estreou-se em 1931 e a sua recepção por parte crítica portuguesa foi péssima: o filme foi assobiado e pateado, levando os críticos estrangeiros presentes a perguntar se em Portugal se aplaudia assobiando e batendo os pés.
Desta forma teve início a má relação com o público, que parece não compreender Oliveira, que tem como objectivo testar o espectador e levá-lo a pensar no que está a ver algo que tambem desejamos propocionar aos nossos espectadores. Dá mais importância às palavras e ao contéudo do que aos actos. A câmara raramente se move, e quando o faz são movimentos subtis para mostrar um objecto, os movimentos corporais de um actor que fala. Em 1942, estreou sem êxito comercial sua primeira longa-metragem “Aniki-Bóbó” (verso de uma cantilena usada pelas crianças da zona ribeirinha do Porto quando brincavam aos polícias e ladrões). As crianças são, aliás, as protagonistas do filme “vivendo” problemas e situações de um universo adulto.
Em 1961, praticamente vinte anos depois da sua realização, recebeu o Diploma de Honra no II Encontro de Cinema para a Juventude, em Cannes.
No Estado Novo viu a sua carreira como cineasta sofrer um interregno de 14 anos, durante os quais se dedicou à agricultura nas terras que possuía no Douro. O seu regresso ao panorama cinematográfico português deu-se, em 1956, com o filme “O pintor e a cidade” e, em 1963, com “Acto de Primavera”.
Os anos sessenta consagram Manoel de Oliveira no plano internacional, a partir de Itália e de França: em 1964, Homenagem no Festival de Locarno e, em 1965, passagem da sua obra na Cinemateca de Henri Langlois - Paris.
A obra cinematográfica de Manoel de Oliveira, até então interrompida por pausas, só a partir da sua futura longa metragem “O Passado e o Presente”, em 1971, prosseguiria sem quebras até aos dias de hoje.
Em 1979, o filme “Amor de Perdição” foi exibido em Paris, lançando internacional a sua carreira.
Em 1982, realizou o filme autobiográfico “A visita ou memória e confissões” que só deverá ser exibido após a morte do realizador.
Apesar de vários actores estrangeiros terem integrado o elenco dos seus filmes, é com “O Convento” de 1995, que se corporiza o desejo de algumas verdadeiras vedetas internacionais com o decano dos realizadores em actividade. John Malkovitch desempenha o papel de um investigador americano que tenta encontrar na biblioteca do Convento da Arrábida as provas de que Shakespeare era um judeu espanhol; Catherine Deneuve é a mulher que o acompanha.
“Belle Toujours” e “Cristóvão Colombo – O Enigma” são as obras mais recentes de Manoel de Oliveira, que tem em projecto “O estranho caso de Angélica” e a adaptação para cinema do conto de Eça de Queirós “Singularidades de uma rapariga loira”.
Em “Cristóvão Colombo – O Enigma” Oliveira apresentou uma ficção documental sobre Manuel Luciano, o investigador português que defende que Colombo era natural do Alentejo e pertencia à família real da dinastia de Avis.
Manoel de Oliveira e a sua esposa Isabel interpretam os papéis de Dr. Luciano e de Sílvia Jorge na parte final do filme.
O cineasta protuguês recebeu, em 19 de Maio de 2008, a Palma de Ouro Honorária de 61º Festival de Cannes. Oliveira já tinha ganho o Prémio do Júri em 1999 pelo filme “A Carta” e o Prémio da Crítica Internacional em 1997 por “Viagem ao princípio do mundo”, mas Cannes nunca o havia coroado com a Palma de Ouro.
É visto pelos actores com quem trabalha como uma pessoa imprevisível, que os desafia incessantemente, criando neles uma expectativa muito energética. Extremamente metódico e perfeccionista, cuida pessoalmente de todos os detalhes dos filme, desde as roupas e jóias que os actores usam, até ao décor e à escolha da luz.
Em suma, Manoel de Oliveira é aos cem anos o mais activo, célebre e supreendente dos realizadores a nível mundial. Realiza pelo menos, um filme por ano. Hoje, com um seculo de vida, mantém o espirito criador que o destaca no mundo do cinema.
Por toda esta obra e dedicação á arte cinematográfica o grupo louva Manoel de Oliveirae felecita pelos seus 100 anos de vida.
Referências bibliográficas:
- http://pt.wikipedia.org/wiki/Manoel_de_Oliveira (14 de Janeiro de 2008)
- http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Vida/Interior.aspx ( 14 de Janeiro de 2008)
- http://www.citi.pt/cultura/cinema/manoel_de_oliveira (14 de Janeiro de 2008)